maio 18, 2011 1 comentário

Categorias:quartas kodak

naufrágio no pacífico

coincidiu com a época do meu último suspiro aqui no blog um momento mental de incríveis fantasias com o mar. tornou-se de repente constante essa visão de mim mesmo com os outros marujos correndo pelo convés e recolhendo as velas enquanto todos eram assolados por uma tempestade completamente horrível que deixava céu e oceano tudo escuro.

em outras circunstâncias, eu teria me imaginado um rockstar (com uma flying v) ou uma linda miss (como sempre). mas há 3 anos pouca coisa era tão bela quanto partir em aventuras marítimas rumo a qualquer coisa, das quais o objetivo era afinal dominar o próprio mar. bronzeado e intrépido, eu observava da torre do mastro o mundo conhecido cada vez mais longe, ao mesmo tempo em que aguardava o próximo embate contra a força dos elementos.

não sei o que de concreto possa ter inspirado essa vontade de enfrentar a natureza, no lugar do simples desejo de buscar o seu refúgio, como de costume. realmente não lembro. o que sei é que acabei vivenciando esses delírios na fofura do meu leito, tentando dar conta, no remanso entre o sono e a vigília, de clássicos que eu ainda nunca tinha lido: as viagens de gulliver, robinson crusoé e moby dick.

o problema é que até hoje só consegui terminar o primeiro: quis ler tudo junto, terminei dispersando e, quando vi, já tinha entrado na fase de querer ser astronauta. o que mais ressinto, porém, são os 100 capítulos de moby dick diante dos quais fui congelado, pois mal cheguei a conhecer direito o capitão ahab e não sei como julgá-lo. daí que entra fase, sai fase, e, assim como todos, sempre acho que preciso voltar lá e resgatar a parte que me é de direito dessa baleia branca impossível.

que é o que talvez eu faça ou talvez não faça assim que terminar esse outro, que sei lá por que também tem a ver com o tema dos mares: no ano de 1643, um náufrago chamado roberto de la grive se vê tragicamente exilado num navio deserto (não sabe nadar e não tem bote), ancorado não muito longe de uma ilha remota, em cuja praia acreditava-se atravessar o meridiano que dividia a terra plana entre o ontem e o hoje. não só pelo tédio ou por sobrevivência, mas também pela chance de viver essa magia, chegar até a ilha se tornou missão de honra.

ao contrário do que pode parecer, entretanto, não foi essa leitura que me trouxe a lembrança de moby dick, mas um insuspeito episódio de arquivo x. enquanto analisa a obsessão do agente mulder pelo inexplicável, a agente scully ouve o seguinte desabafo:

scully: sabe, mulder, você é o ahab.

mulder: interessante que diga isso, porque eu sempre quis uma perna de pau. é uma coisa de infância que nunca superei. não estou brincando, pensei bastante a respeito. com uma perna de pau, ou ganchos no lugar das mãos, talvez seja o suficiente para ir vivendo, enfrentando a vida com uma deficiência. sobreviver apenas já seria heroico. mas, sem isso, as pessoas esperam que faça alguma coisa da sua vida – ganhar um aumento, usar uma gravata. então, por isso, sou a antítese do ahab, porque, se tivesse uma perna de pau, eu provavelmente seria mais feliz e não sentiria necessidade de caçar criaturas do desconhecido.

(o suficiente para ir vivendo)

claro, era 1996 e talvez esse diálogo hoje nem pudesse ir ao ar. no entanto, achei  na hora que bem podiam ser minhas tais palavras, ditas enquanto eu comia umas boas semente de girassol vestido com aquela camiseta ~sem esperanças, sem cobranças~. hoje continuo sem saber o que despertou a sede de sangue de ahab, se ele estava com fome de carne de baleia, quem acabou matando quem, se moby dick era na verdade um kraken etc. mas se eu me volto pro relato de roberto de la grive (até onde li), vejo um herói muito circunstancial, que, justamente por não ter nada a perder, desenvolve uma forte ambição. ele decide inclusive aprender a NADAR, o que pra mim é o ápice da motivação.

no fim, parece que me encontro novamente no caminho cruzado pela dúvida entre fugir e lutar, entre o cão e o gato. vejo como nossas fraquezas nos empurram em alternadas direções – de repente a perna de pau ERA a razão de tanta brabeza – e espero que o próximo movimento dessa maré muito doida me carregue pelo menos a um lugar confortável, tanto faz se pra frente ou pra trás, pra torre do mastro ou pra velha terra firme.

what defines you?

se me pedissem pra resumir esse blog em uma imagem, acho que seria essa:

mas aí eu li o post a respeito da relação atual com os posts antigos, tava passeando pelos meus arquivos e também achei essa:

ps: no nosso tempo, não existia tumblr. então quarta-kodak > tumblr.

Então, doutor…

maio 3, 2011 1 comentário

Pensei em mil coisas pra marcar meu retorno ao Terapia, mas todo e qualquer assunto acabou voltado ao fato de que tudo é diferente hoje. Eu sei que as coisas mudam, evoluem, seguimos nossos próprios caminhos e decoramos essa cartilha madurona repetida compulsivamente até à exaustão sempre que algo/alguém acaba saindo ou, pelo menos, dando um tempo da nossa vida. Bem, não vou me prender (nem perder) nesse tópico – pelo menos não agora. A mudança citada é mais visível e, se existir alguma classificação, de estilo.

Assim que o frenesi de ressuscitar o blog surgiu, me lancei numa busca desesperada por minha antiga senha e quando finalmente consegui, lógico que precisei dar uma passadinha por absolutamente cada um dos meus posts; não dava pra simplesmente caminhar pelas entranhas daqueles textos e sair delas impunemente rumo à próxima publicação! Foi inclusive relendo tudo, que percebi algumas coisas meio torturantes:

1) OMFG U R HOTT

Se meu jeito de escrever pudesse ser magicamente personificado, seria uma adolescente desesperada cujo vocabulário varia entre microfrases em inglês e interjeições exageradas.

2) Sabe aquele mau humor?

Tudo mentira, eu não era realmente daquele jeito. Pelo contrário, há cinco anos eu era um poço de popularidade, figurinha carimbada em festinhas e viagens. Aquela reclamação toda era só tipo. Um personagem milimetricamente construído: imagem perfeita pra uma gordinha medrosa.

3) Pretensioso com “c”

De redatora incompetente à neurótica que não digita uma linha sem a devida revisão. Ainda não consegui encontrar um meio-termo pra isso (com ou sem hífen???).

4) Kate Moennig não tem mais graça

Juro. Ela é magra demais e fala grosso. Além disso, nunca acertaram aquele cabelo. Em seis temporadas. Não, não dá (isso também é aplicado à meninas que usam gravata e suas derivações).

5) http://www.letrasdemusicas.com

Quando era uma jovenzinha apaixonada, achava que toda aquela angústia que parecia não ter fim poderia ser aplacada se eu copiasse e colasse aqui alguns clássicos do cancioneiro popular. Uma espécie de “Faroeste Caboclo na última página do caderno” dos tempos modernos. O romance terminou e, junto com ele, essa mania. Atualmente eu gravo mixtapes.

Resumindo? Vai ser ótimo começar de novo.

P.S.: Ainda acho que Morrissey e o Homem-Aranha são a mesma pessoa. Estamos em calmaria, mas a essência caótica ainda habita este corpo.

Categorias:é isso

serenity now!

abril 27, 2011 4 comentários

não sei dizer como os roteiristas representariam as mudanças do meu personagem para essa segunda temporada. a princípio, é preciso que considerem uma importante mudança no meu uso do botão edit: da sanha barroca dos antigos posts (clica para acrescentar) para um cansaço meio árcade daqui pra frente (clica para minimizar).

a ironia de tal atitude, porém, reside num fato intrigante. o reino da arcádia parecia bem mais real antes, quando eu me via para sempre deitado no retiro do campo com um sorriso moleque, punhetando para a musa em companhia de pequenos cabritos. ao passo que agora estou frequentemente sentado nesse quartinho chiaroscuro, completamente dramático, fazendo o orçamento do mês e pensando: pqp, não vai dar.

no fim, talvez seja tudo um jogo de compensações etc. mais ou menos como billy corgan, que lançou um feitiço totalmente fambloyant com o mellon collie quando tava no auge das energias positivas, e criou logo depois uma versão mais tranks de si mesmo com o adore, justo quando tinha perdido sua mãe e brigado com seu melhor amigo.

espero, assim, que a produção compreenda esse meu novo momento de despojamento e tensão, e me bote pelo menos com esses lindos cabelinho:

Categorias:é isso, e agora?

like fire from a busted gun

abril 25, 2011 1 comentário

se eu paro pra analisar, uma porção das decisões mais importantes da minha vida foram tomadas em dias caóticos, durante um surto de tpm ou em uma mesa de plástico. foi assim com aquele namoro errado, com o fim daquele namoro errado, quando conheci aquele outro cara certo que virou errado e quando tive aquela conversa decisiva, vomitada, sem pontuação ou pausa pra respirar, entalada na garganta igual quando a gente engole comprimido muito grande. foi assim com esse blog também, que surgiu numa mesa gordurenta de lanchonete, cercado por um cheiro de bacon que gruda na pele.

a gente começou esse blog em 2006. amigos caóticos, sofrendo demais, morrendo de amor, berrando por tudo, sempre exponencial. enquanto nos descobríamos – como gente grande e como grupo, dividindo nossas histórias pelas linhas, fotos, músicas, vídeos e comentários. e era fantástico, porque a gente simplesmente não cansava de dividir. e há quem diga que era só um chororô sem precendentes, de riso e de tristeza, porque todo mundo se sentia perdido demais, sozinho demais, ansioso demais, eufórico demais, entretido demais, com planos e sem planos demais.

daí a gente enjoou de ser tão caótico, porque não há ser humano que aguente. e ninguém quis admitir que aquele momento tão fantástico não era mais fantástico. era como se um copo de cerveja tivesse virado na mesa do bar e sido limpado com a flanela suja do garçom, só que já molhou sua calça jeans e tá incomodando.

até tentamos reanimar: pedimos outra cerveja, mas tava quente e o pastel de queijo demorou demais, essas coisas. então alguém finalmente bateu na mesa e disse que cansou, já não dava mais, tinha mesmo acabado. foi massa, mas deu. vou embora daqui. e foi. e eu disse que “ah, gente ficou velho”. enquanto isso, outra pessoa disse que estávamos apenas em momentos diferentes, nada demais, bobagem. por fim, concluímos: cada um com seu caos. vai pra lá, chora sozinho no seu quarto. todos obedecemos. fazia sentido.

um dia em 2011, eu acordei com a cara amassada e no meu cérebro, só ecoava “ataque de pânico, claro. ataque epilético, claro” , e fiquei rindo, lembrando das coisas que nós dividimos aqui naqueles tempos. e foi depois, num encontro por acaso, que estávamos novamente em uma mesa de plástico, cantando as músicas de antigamente e decidindo que esse blog merecia ser revivido.

não se sabe se alguém vai cumprir (afinal, promessas de mesa de plástico tem o ônus do que gosto de chamar de “bêbado-empreendorismo” – a gente acorda no dia seguinte e toda aquela euforia foi substituída por um “será? pra que? que preguiça”), ou se esse post vai ficar sozinho no relento, meio melancólico, cheio de nostalgia.

mas o fato é que eu estava ali ouvindo interpol, que faz parte da OST do terapia invertida e lembrei que hoje era segunda. minha avó sempre me ensinou que segunda é dia de recomeçar, então cá estou, apertando o play.

Categorias:e agora?

Ops!

junho 22, 2008 1 comentário

Deus e o fim