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like fire from a busted gun

se eu paro pra analisar, uma porção das decisões mais importantes da minha vida foram tomadas em dias caóticos, durante um surto de tpm ou em uma mesa de plástico. foi assim com aquele namoro errado, com o fim daquele namoro errado, quando conheci aquele outro cara certo que virou errado e quando tive aquela conversa decisiva, vomitada, sem pontuação ou pausa pra respirar, entalada na garganta igual quando a gente engole comprimido muito grande. foi assim com esse blog também, que surgiu numa mesa gordurenta de lanchonete, cercado por um cheiro de bacon que gruda na pele.

a gente começou esse blog em 2006. amigos caóticos, sofrendo demais, morrendo de amor, berrando por tudo, sempre exponencial. enquanto nos descobríamos – como gente grande e como grupo, dividindo nossas histórias pelas linhas, fotos, músicas, vídeos e comentários. e era fantástico, porque a gente simplesmente não cansava de dividir. e há quem diga que era só um chororô sem precendentes, de riso e de tristeza, porque todo mundo se sentia perdido demais, sozinho demais, ansioso demais, eufórico demais, entretido demais, com planos e sem planos demais.

daí a gente enjoou de ser tão caótico, porque não há ser humano que aguente. e ninguém quis admitir que aquele momento tão fantástico não era mais fantástico. era como se um copo de cerveja tivesse virado na mesa do bar e sido limpado com a flanela suja do garçom, só que já molhou sua calça jeans e tá incomodando.

até tentamos reanimar: pedimos outra cerveja, mas tava quente e o pastel de queijo demorou demais, essas coisas. então alguém finalmente bateu na mesa e disse que cansou, já não dava mais, tinha mesmo acabado. foi massa, mas deu. vou embora daqui. e foi. e eu disse que “ah, gente ficou velho”. enquanto isso, outra pessoa disse que estávamos apenas em momentos diferentes, nada demais, bobagem. por fim, concluímos: cada um com seu caos. vai pra lá, chora sozinho no seu quarto. todos obedecemos. fazia sentido.

um dia em 2011, eu acordei com a cara amassada e no meu cérebro, só ecoava “ataque de pânico, claro. ataque epilético, claro” , e fiquei rindo, lembrando das coisas que nós dividimos aqui naqueles tempos. e foi depois, num encontro por acaso, que estávamos novamente em uma mesa de plástico, cantando as músicas de antigamente e decidindo que esse blog merecia ser revivido.

não se sabe se alguém vai cumprir (afinal, promessas de mesa de plástico tem o ônus do que gosto de chamar de “bêbado-empreendorismo” – a gente acorda no dia seguinte e toda aquela euforia foi substituída por um “será? pra que? que preguiça”), ou se esse post vai ficar sozinho no relento, meio melancólico, cheio de nostalgia.

mas o fato é que eu estava ali ouvindo interpol, que faz parte da OST do terapia invertida e lembrei que hoje era segunda. minha avó sempre me ensinou que segunda é dia de recomeçar, então cá estou, apertando o play.

Categoriase agora?
  1. abril 26, 2011 às 2:23 pm | #1

    1 auspício: renascimento em plena páscoa :)

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