Posts de Maio, 2008

Tá na hora de apagar a velinha

Maio 15, 2008

Parece que foi ontem que vi esse blog nascendo, todo mundo cheio de idéias, eu uma mera espectadora, só achando engraçadinhos os posts e segurando minha faquinha de pão na altura do peito. Aí eu percebi a criança engatinhando e resolvi fazer contato, contribuindo pro alto consumo de música indie, fiona apple sem parar na vitrolinha, garrafa de vinho apertada contra o peito. Depois de muitos testes do sofá, fui promovida à colaboradora desse blog que hoje completa dois anos e não faz mais cocô nas fraldas, e que, apesar de ser esquecido algumas muitas vezes (principalmente por mim), tá aí vivão sempre disposto a ouvir os choramingos.

E como quem percebe a mudança de um filho na passagem dos 17 pros 18 anos, concluí que não sei mais sofrer. Sabe aquela coisa caí-num-poço-não-sei-o-que-fazer-vou-escrever-e-ouvir-radiohead? Pois é, perdi isso. Talvez seja coisa de gente adulta, consciente, que se conforma com o fundo poço, não cava e espera por qualquer barulho pra pedir ajuda, sabendo que vai voltar pro ponto de partida. Mas também pode ser coisa de gente que só tá esperando um peteleco pra se descabelar e, inconformada, voltar lá pro início. O que me conforta é saber que o terapia tá aqui pro que der e vier =)

Terapia na festa de seus 2 anos – porque algumas coisas não mudam

Resumindo…

Maio 14, 2008

2006: éramos muito dramáticos. Todo mundo sofria muito, escrevia muito, amava muito, complicava e chorava junto. Além disso, nosso gosto musical em dores-de-cotovelo era muito bom.

2007: fomos muito apáticos. Todo mundo bebeu muito, remoeu muito, se arrependeu muito, chorou e se calou cada qual no seu canto. As músicas precisaram fazer  rir.

2008: estamos muito separados. Todo mundo sai esporadicamente, se diverte de vez em quando, se encontra quando pode e chora cada qual no seu canto lembrando do junto. Eu nem sei mais o que vocês andam escutando…

 

…Ainda bem que a gente tem um Blog! :-D

Feliz Aniversário, Terapia Invertida.

Venho através desta informar que…

Maio 6, 2008

Estava conversando ontem com uma de nossas ilustríssimas amigas aqui no MSN, e ela alucinada porque descobriu algumas das atrações do Coquetel Molotov 2008.

Caros amigos, fui investigar com fontes seguras (desculpa Pilha, não que você não seja confiável, mas tá muito bom pra ser verdade), e quando digo fontes seguras é a galera que organiza as parada lá de Hellcife, minha terrinha natal.

Sim. É verdade. Com incentivos vindos de uma parceria do governo sueco com o Estado de Pernambuco, esse ano o festival trás:

Peter, Bjorn and John:

Club 8:

Britta Persson:

Agora pode gritar criançada! É coisa linda de deuuuussssssss…

Fora Coquetel Molotov, ouvi dizer também, que esse ano o TIM Festival trará uma atração bombante que já tocou no Brasil – Sonic Youth, Wilco… Maybe – Além, é claro, das novas “novas salvações do rock ever”, que sofrem por ter esse título, mas sempre vendem mais discos por isso…

Portanto, juntem seus minguados pra chegar junto, o festival é em setembro e promete muito mais atrações que isso aí… Ouvi dizer (minha fonte me mata se ler isso) que Blonde Redhead também tá sendo bem cogitado… Digo logo a vocês que não perco nem se me arrancarem as duas pernas… Ano passado foi muito bom ver “Love is All”, “Suburban Kids”, “Hello Saferide” e “Nouvelle Vague” custando 20 reais o ingresso, vai…

Meus amigos remanescentes, preparem as camas de campana e os colchonetes, estarei mais uma vez de volta e devota a terrinha linda… Miguxos! Bora essa carne do sol e macacheira com Antártica Original estupidamente gelada vendo as moças/moços bunitos da praia de Boa Viagem ir e vir…

Bom… Aproveitando o espaço a mim fornecido gostaria de deixar o anúncio da venda de um rim usado, e uma parte do fígado bem gasta, mas ainda funcionando, lembrando que não “tô matano, nem rubano, só tô pedino uma ajuda pros amego e as amega pra moi de vê esse sho de viola bunita nê?”

Ahhh… Só mais um detalhe, parece que esse ano Invasão Sueca só aqui pras bandas do nordeste mesmo… Sorry.

o lindo e o massa

Maio 3, 2008

é estranho esse fenômeno do “gênero favorito: drama”. esse fenômeno de gostar de se emocionar, de se dispor a isso, de se reunir em torno daquela história carregada, intensa, trágica, de se entregar aos violinos ao fundo e acabar enxugando as lágrimas e assoando o nariz no mesmo lenço de papel. é como um prêmio, às vezes. como renovar sua condição humana, se sentir vivo na região do peito. mas, claro, digo se emocionar de forma segura, de modo que a gente não precise se envolver, e fique só empatizando de longe e curtindo esse barato eletroquímico.

é meio isso o que acontece com os filmes. e com a arte, e as músicas nos discos, e as notícias na tv, e os arquivos confidenciais em faustão, e os comerciais de margarina de uma forma geral. há uma certa realização macabra em se jogar na emoção. e isso parece meio coisa de emo, all right. mas fazendo um brainstorm sobre nossos filmes favoritos, por exemplo, não deve ser difícil ver surgirem nomes que nos fizeram chorar tesos na cadeira do cinema e nos deram aquela mãozinha no interessante processo de lavar a alma. quantos dos putaquepariu-que-filme-lindo a que assistimos não são aqueles que a gente passa alguns minutos ainda catatônico diante dos créditos já subindo? e quantas vezes esse truque não é usado pra fazer a gente acreditar que um filme de merda é realmente lindo?

há, porém, nessa lista de filmes favoritos aqueles filmes excitantes e bem produzidões, que vamos chamar de massa, junto a esses emocionantes e chorativos, a que chamamos de lindos. eu particularmente tenho essa tendência bunda-mole a chamar os lindos de favoritos. na verdade, qualquer coisa em que os corações apareçam sangrando é um favorito. e é aí que entra meu pedido de desculpas por duas coisas que têm me perseguido no último mês. ou que eu tenho perseguido, acho mais justo.

a primeira delas é um flashback musical aos anos 90, época em que a música ardia de densidade sentimental, e a uma banda específica. as enciclopédias afirmam que o sunny day real estate, que descobri há pouco tempo, talvez tenha sido um dos grupos que mais sentimentalmente trataram a sentimentalidade nessa década, e lhes agraciaram com o título de difusores do emo. e daí que, sem franja engomada ou lápis de olho, e salvo uma levadinha cpm aqui e algumas (várias) baladinhas cabisbaixas ali, eles mostraram que podem ser mesmo uma das raízes dessa porra toda, porque o sumo não-técnico do emo tá lá – o drama. os corações sangrando. a emoção. o lindo. mas também o massa, porque não é qualquer nx zero que sabe lhe conduzir com dedilhados e riffs, entre a melosidade e a zoada, a esse estado.

a outra margem do vale de lágrimas é “sociedade dos poetas mortos“. ok, para alguns dos distintos leitores é o mesmo que dizer “choro vendo titanic”. e eu sei que é um filme com lições açucaradas, sobre aventuras adolescentes, sonhos adolescentes, medos adolescentes E tem robin williams de protagonista. mas talvez eu tenha mesmo 17 anos então, porque não consigo não me identificar com tudo isso, como se cada descoberta dos personagens fosse minha. tudo no filme é singelo, cheio de passagens tocantes, e me faz querer revê-lo, porque me sinto vivo na região do peito toda vez que o assisto; vivo, terno, jovem, invulgar, com uma emoção que me recompensa e me faz pensar em coisas. uma delas é que o lindo, no fundo, é um poeticamente massa. e é vital. e que às vezes a gente se emociona mais por causa da beleza do que da tristeza.

*shora*

e ainda é uma possibilidade que eu reassista titanic daqui a 10 anos e descubra que é um dos filmes da minha vida, who fucken knows?