“Vira, vira, vira… Ai meu Deus!”

By Paciente 44

Sempre que viajo de avião não deixo de pensar em acidentes aéreos. Imagino diferentes finais p’raquele vôo: colisão abrupta, pele e roupas derretendo a 1000º Célsius (reparem que a temperatura é sempre essa, provavelmente inventada pra ninguém ter noção do quão quente está aquilo ali) caindo a mais de 30.000 pés, máscara de oxigênio, aeromoças desesperadas, crianças chorando e a minha preferida – e motivo eterno para nunca sentar na janelinha – rombo na lateral da aeronave, sugando as cadeiras da ponta. Minha imaginação tem a propriedade incrível de ser ainda mais fértil na hora do medo e é exatamente nessa hora que começo a suar frio, os olhos apertam com força, as mãos agarram os braços da poltrona e, muitas vezes, os braços da pessoa ao lado, os ouvidos estouram e ao primeiro balanço, as lágrimas começam a rolar. O ritual se repete até a hora do pouso, quando respiro sem parar feito uma grávida em trabalho de parto e rezo pra qualquer coisa que não acredito, enquanto penso em todos aqueles que amo e o quanto eu queria que soubessem disso.

Receber uma notícia ruim é como estar nesse grande e descontrolado avião imaginário em queda livre.

No mais: voltei!

6 Respostas para ““Vira, vira, vira… Ai meu Deus!””

  1. Lentamente Conclusiva Disse:

    Adoro quando isso aqui fica movimentado, e principalmente adoro seus textos companheira de Prozac…
    Welcome home, Monquina!

  2. Lentamente Conclusiva Disse:

    Monica… Vou dizer que ir de busão pra Sampa não é nada legal, mas ver Interpol vai ser o tesão dos tesões! Vou babar em Paul Banks…
    P.S. Essa visão parece tanto com LOST…

  3. brandon Disse:

    velho. isso foi lindo.

  4. priscila gonzaga Disse:

    Bom ver notinhas 44 de volta! :*

  5. Dr. No No No Disse:

    quero que volta toda em cima de mim, que nem um acidente aéreo.

    :*

  6. Dra. Paranoia Disse:

    lindo, sçorei litros.
    adoro qd tu escreve

    ;o*

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