Posts de Novembro, 2007

this monkey is gone to heaven

Novembro 26, 2007

Todo mundo devia, pelo menos uma vez na vida brincar de Oráculo. Nunca brincou?
Pois então pegue um livro, um que vc goste. De preferência um que tenha quebras como um de contos, crônicas, ou poesias. E abra aleatóriamente, com uma pergunta na cabeça(ou não).
Foi dessa forma que peguei o livreto do Leminski, que sempre me faz um agradinho ou ruma uma pedrinha no meu telhado de vidro.

Atraso pontual

Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relógio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser no tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bênçãos e desgraças
vêm sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre o tempo e o espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que eu faço?

ou ainda…

Pareça e desapareça

Parece que foi ontem.
Tufo parecia alguma coisa.
O dia parecia noite.
E o vinho parecia rosas.
Até parece mentira,
tudo parecia alguma coisa.
O tempo parecia pouco,
e a gente se parecia muito.
A dor, sobretudo,
parecia prazer.
Parecer era tudo
que as coisas sabiam fazer.
O próximo, eu mesmo.
Tão fácil ser semelhante,
quando eu tinha um espelho
pra me servir de exemplo.
Mas vice versa e vide a vida.
Nada se parece com nada.
A fita não coincide
Com a tragédia encenada.
Parece que foi ontem.
O resto, as próprias coisas contem.

caso de internação ou solução drástica, por favor

Novembro 25, 2007

eu tava pensando nessas coisas de futuro e decisões e essas coisas que a sociedade (hahaha) te obrigam a escolher. mentira, sociedade nada, esse conceito de coisas-que-a-sociedade-massa-geral-população-governo-sistema-trem-andando-te-obrigam-a-escolher é pura invenção de alguém muito perdido.

eu acho engraçado como as coisas vão vindo, acontecendo: grandes catástrofes, quando na verdade, nem são. a gente que tende a pensar que ok, o mundo vai acabar amanhã. (por “a gente”, eu quis dizer eu. antes que algum doido desses que andam por esse blog peça revisão de texto berrando, Jorge Lafon Style: A GENTE NÃÃÃÃÃO!!!!).

 o que eu quero dizer é que eu não sei de nada que eu quero, aí eu vou fazendo das coisas que surgem meras tentativas de algo-que-poderia-funcionar. é assim que tem que ser, né? já diria Caio F.: “não sei, deixo rolar. vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo”.

eu lembro que uma vez eu viajei pra Salvador e tava almoçando sozinha em algum shopping, esperando a hora pra encontrar umas amigas pra fofocar, comer mais, rir e bagunçar e eu tava tão só, tão só, que devia ter um neon na minha testa que fazia todos os passantes olharem pra mim e pensarem: coitada, sozinha…

e nesse meio tempo em que eu me sentei com minha bandeijinha do restaurante, cheia de gordura trans, coloquei meu guarda-chuva de bolinhas vermelhas na cadeira do lado e liguei o mp3 player e como qualquer pessoa que está sozinha e sem pressa, comi e observei as pessoas ao meu redor: tão perdidas quanto eu.

tinha o grupo de adolescentes com camisa de vestibular, berrando, tirando foto, jogando a pedra de gelo do refrigerante no outro e tirando foto disso; tinha o casal bonito-modelo-da-vogue, que não trocavam uma palavra durante a refeição, o que sempre me passa uma impressão de vazio, de estou-aqui-contigo-só-pra-constar-mas-eu-quero-magia-e-vc-tá-enrolando-seu-macarrão-nessa-tranquilidade; e tinha esse cara, que foi quem mais me chamou atenção:

ele era dono do restaurante da frente. um fast-food qualquer, aleatório, não importa. o que importa é que ele estava com uma urgência de ______ (não sei dizer de que: alguém cético poderia dizer que ele queria clientes, eu digo que ele queria atenção, afeição, qualquer vestígio de carinho, de aceitação, de agradar – verbo transitivo indireto – alguém).

ele não ficava regulando os funcionários, ele não ficava babando o ovo dos clientes, mas ele sorria pra qualquer pessoa que o olhasse, o que me lembrava um político nas épocas de eleição e me fez até rir em alguns momentos. mas ele não queria votos, ele queria recíproca. e algum cliente reclamou que o macarrão tava frio e ele foi lá e esquentou o macarrão e a garotada do terceiro ano pediu mais gelo, e ele foi lá e pegou o gelo e eu, com meus fones no ouvido e meu prato de gordura trans (indo direto pra minha bunda em formato de celulites) fiquei olhando e pensando se era só eu que tava sentindo o desespero daquele moço. ou será que eu tava desesperada por qualquer motivo e os desesperados se reconhecem. ou, principalmente, que se eu sentisse daquele jeito, que se eu seguisse algum caminho que me levasse aquela coisa que pra mim era uma urgência latente e desesperada de qualquer coisa, eu não ia conseguir controlar uma mísera linha de pensamento.  não ia organizar nada que fosse cerebral, racional, muito menos emocional.

o que eu quero dizer é que no dia que, espero que não chegue, eu disser que tô me sentindo como o cara do restaurante de Salvador, eu peço, por favor: me dêem paz, um caminho ou me internem, que eu não quero jamais sentir o desespero que eu senti naquele moço.

Diga com quem andas…

Novembro 21, 2007

 

Quero que faça resenhas sobre filmes. É? Deixa eu ver… É uma boa, posso sim Carola, começo por onde. Sei lá, vai do último filme que você viu no cinema então. Nossa, logo esse. É sim. Caralho!

“El Passado” – ou como vc pode se sentir estranho e sempre.

Filme estranho. Gael tá feio (podem me bater por isso). Bom… Sento eu e meu parceiro de lutas e sabonetes entre dois casais mais nada a ver do mundo, aqueles que só vão ao cinema porque vão sempre ao cinema, sem se importar com o que estão vendo (falando nisso a próxima é sobre Magnólia, tem uma história engraçada sobre esse filme no cinema), mas enfim… Voltemos ao filme.

Casados há 12 anos resolvem se separar, normal até então, o amor termina e cada um tem que seguir seu caminho, o problema é que a mulher surta querendo que o tal passado volte, e a história do filme vai se desenrolando dessa forma. Num sei descrever muito bem, mas a sensação que o filme passa é de uma angustia tão grande, não por ser um filme ruim nem nada é que é meio foda com PH… Tipo, tem alguns filmes que despertam a esperança que você NÃO TEM, e que te fazem perceber que a vida tá uma merda, mas amanhã tudo pode acordar colorido de novo… Não vá esperando isso não meu amigo, não nesse filme… Vai quebrar a cara, aliás, vai tomar um tapa na cara bunitinho!

Ah… Não é só a mulher que é psicopata no filme não, o personagem de Gael é bem esquisitinho também, procura em relações/pessoas/coisas bizarras e dependentes a pessoa que ele não consegue mais ser, é acaba (imagine!) se fodendo todo.

Talvez seja o momento, não sei ao certo o quê é, meu talvez, mas já há um tempinho que os filmes (vide: Todos os Dogmas, Meninos não Choram, Amnésia, 21 Gramas e etc) se comportam dessa forma: você está na merda, vai acontecer diversas coisas na sua vida que vão te deixar numa merda ainda pior, e outras que farão você se sentir um pouco melhor dando um refresh, mas será momentâneo filho! O caos e a felicidade definitivamente são coisas totalmente transitórias… Na verdade o que sobra de tudo na vida é a sensação gigante de tédio!

 

Jeffinho lindo te digo, tem dias que tá tudo tão difícil…

Jeff Buckley

E num ri assim pra mim não! Fico sem graça…

 

(L) amo me suicidar (L)

Novembro 20, 2007

a cadeia começou com uma colega no trabalho, ainda ontem de tarde. não lembro exatamente o eixo do diálogo, mas era a nossa pausa pro café sem café, então a gente devia estar falando sobre qualquer coisa de alguma revista do lobby sem revistas da nossa escola sem lobby. daí que não importa mesmo o eixo - ela se lembra no meio da conversa que veio pro trabalho ouvindo essa música que há tempos não ouvia e era uma música tão linda e aiaiai e ela então, anjo do cosmos, cuidando empolgada pra que eu não esquecesse a recomendação, me anota num pedaço de papel o nome do artista e da música e ah ok é daquela banda AIR e o nome é “playground love”, ela acha, e é trilha daquele filme ”as virgens suicidas” - que eu ainda não assisti, mau amante do cinema que sou, e cuja trilha eu também ainda não conhecia, embora seja assinada pelo AIR e eu curta rally de AIR e estivesse escutando AIR ainda na semana passada. de toda forma, guardei o papel no bolso da calça, mas quando foi de noite já tinha recalcado a presença dele ali.

e aí que eu chego de noite em casa. e por algum motivo — na verdade, acho que a cadeia começou um pouco antes, há duas semanas, quando começaram a me visitar em lucidez e em sonho as velhas memórias de 2004, ano estranho. e as memórias de 2004 são aquelas memórias intensas, de romances intensos falidos, que voltam como uma flechada por trás, no meio dos pulmões, kind of arpão do scorpion, te obrigando a lidar com o passado. acabei retribuindo intuitivamente a visita dos fantasmas e voltei a 2004 - muito com a ajuda da música que eu ouvia em 2004, ano intenso, música intensa. e um nome então desmalocou-se de minhas pastas esquecidas no computador e me retransportou pra cada quarto e abraço por onde passei naquele ano sinistro - o nome de elliott smith, que escuto desde ontem à noite, quando cheguei do trabalho.

e aí que lembrança é aquele troço que te deixa ensimesmado, especialmente essas lembranças de tudo que um dia deu errado. minha vontade em horas assim é desativar o modo clark kent por um tempo e conversar com os velhos sentimentos mal-resolvidos na vida secreta do meu mundo, longe do mundo dos outros. ver aquele filminho sozinho, ler um livro enquanto chove de mentira na janela, destilar desejos e remorsos escrevendo histórias sobre moças apaixonadas de nomes duplos. e aí penso que, poxa, faz meses que não vejo aquele filminho, mas meu nome se chama sou-ocupado-pra-caralho e, poxa, não ia dar tempo de passar hoje na locadora e apanhar “as virgens suicidas”. resolvi então ir no cinema finalmente ver o “2:37″ que-lotou-todas-as-sessões-do-feriado. cinema sozinho ruleia, você ainda se sente semi um espírito no meio dos seres viventes, que é tudo o que eu precisava nessa viagem do self. fui lá meio sem saber o que era a história do filme, mas tivesse eu lido a sinopse (Numa escola secundarista no sul da Austrália, um suicídio revela aos poucos o lado sombrio da vida dos alunos, envolv), não teria me surpreendido quando, saindo do cinema cantarolando “bled white”, enfiei a mão no bolso e encontrei o papelzirro com a recomendação da música de “as virgens suicidas” e ok, virgens suicidas, numa escola secundarista no sul da austrália um suicídio revela o lado sombrio da vida de bibibi, elliott smith encontrado pela namorada com uma facada no meio do coração em uma aparente cena de suicídio. e então eu fiquei pensando, né?

aí ok eu chego em casa do cinema à noite, refletindo all over sobre a barra enfrentada pelos jovens secundaristas do sul da austrália, sobre isso que chamam de pesadelos da vida (cof *2004* cof), e sorrindo de canto de boca com o depoimento brightside firmeza de um dos jovens mais vergastados do filme: “a merda sempre atinge o ventilador, mas parece nunca atingir a mim”. e eu aqui juntando as peças sobre morte, automorte, conflitos e resolução de conflitos, venho na nétchi baixar a trilha de “as virgens suicidas” e, dando um rolê no orkud, me calha de dar um saque na comu da pj harvey – que eu quase nunca abro, mau fã que sou -, e tem lá no topo dos tópicos: “pj harvey tenta SUICÍDIO!!!“. e eu: madre mía.

ai.

Novembro 18, 2007

esse post consta aqui apenas para atestar minha frustação por estar me sentindo têpê-êmicamente frígida durante a semana tesão e não conseguir pensar em nada que constituísse num post lambuzado (há) de opções.

  
  
  

tô mal.

fetiche fetiche fetiiiiche

Novembro 13, 2007

antes de me criticar, tente me superar

Novembro 12, 2007

já virou modinha: as pessoas criam blogs pra me difamar, apontam para mim e riem, me escolhem por último na hora de tirar os times, me derrubam com uma rasteira no pátio e me enfiam na lata do lixo, porque é isso que se faz realmente com o doido que curte “cidade dos sonhos” (e não só curte, como curte pra caralho, assisto comendo cream cracker com toddy que nem “malhação”) e aquela torta recheada de limão com ameixa. eu sou um pária, i give you that, e um pária que não se conforma com o gosto limitado da classe média pequeno-burguesa.

mas vamo combinar - até mesmo eu acredito que alguém que daria as duas sobrancelhas por um encontro fortuito no banheiro da balada com tipos assim…

 paul thomson - DJ, modelo nu e baterista do franz ferdinand

e assim…

charlie pace - rockstar e sobrevivente de acidente aéreo

… merece o total e irrestrito desprezo da sociedade, e a genitália queimada com ferro em brasa. um mau gosto desse nível é um ESCÁRNIO com a família brasileira.

About me…

Novembro 12, 2007

Então… Antes de dar início a semana Tesão (Tô com medo do que vou escrever, juro!), quero postar um “About me” pra os vastos leitores me conhecerem só um pouquinho, ou pra quem interessar possa…

 

 

About me for Lentamente Conclusiva:

20 e poucos anos… idiota como 15

Cabelos desalinhados e despenteados

Estudante de mais um curso superior que não sei se vou concluir

Insônia constante, olheiras profundas

Sou chata, mas sorrio nas horas certas e as pessoas caem nessa

Vermelho

Gastrite nervosa (raiva reprimida)

B12 em queda…

Desnecessariamente sentimental (já disse que sou idiota?)

Um pouco acima do peso (um certo charme vintage, mas com a gastrite atacada do jeito que tá, logo, logo viro miss bulimia)

Música, música, música…

Algumas outras coisas: jogos, fotografia, livros, filmes, séries de tv, bebidas, cigarros, risos…

Chocolasterol

Desajustada, fora dos padrões simétricos sociais

All Star

Fuga em 2D

Fuga em Km

Mais alguma coisa? Remember me, please!

 

“velho, isso aqui de certeza é um convite pro terapia…”

Novembro 11, 2007

a verdade é essa: precisa de homem nessa porra desse blog. pra dar uma perspectiva diferente sobre as coisas, falar de ciência e tecnologia, de carro, de intelectuais franceses com preciosismos lingüísticos, de jogos estúpidos de computador, de fatos da realidade.

mas aí o que é que acontece? caímos no charme irresisítivel de outra nêga. e é, sem querer distraí-los da nossa [NEON] II SEMANA TESÃO [/NEON], que lhes introduzo com inenarrável deleite nossa yet nova colaboradora, daniely “lentamente conclusiva” clarisa!

bem, a promessa de tirar o pó deste blog enjeitado já é um fenómeno que no existe, mas conto que as curtas e grossas palavras de nossa nova companheira valerão como vários e longos posts. e TALVEZ, vejam que beleza, sobre intelectuais franceses e jogos de computador.

(“velho, eles de certeza publicaram essa foto sem minha autorização…”)

steam me up, scotty!

Novembro 11, 2007

frígidos e frígidas terminais do meu brasil, é com imenso PRAZER que venho, através deste, declarar oficialmente abertas as comemorações da II SEMANA TESÃO do terapia invertida!

nos próximos sete ou oito ou nove ou dez ou até mesmo quinze dias, estaremos divulgando o que tem estado nos provocando rebuliços hormonais, sonhos molhados e banhos demorados, contrariando a crença generalizada de que o desejo sexual é uma instituição falida.

hot stallions, as novas socialites gostosinhas, top temas musicais para cavalgadas, o fino do pornô, palmitinhas de langerie dando dicas de comidas quentes, roteiros de sex shops – you name it.

então, passe a chave na porta de seu quarto, leitor, despeje aqui seu jato de porra quente sua lista, confissão ou dica, e nos ajude a tocar fogo em nossos lombos.