1981 foi um ano bonito. a princesa diana e o príncipe charles se casavam, a união soviética adotava o horário de verão, o estado francês abolia a pena de morte, justin timberlake e a mtv nasciam, e o yes enchia o mundo de esperança anunciando sua primeira ruptura.
eu nasci nesse ano, todo mundo sabe (embora quem não sabe nem desconfie, pois faço natação e ciclismo e sou conservado). qualquer um com um ábaco pode calcular a minha idade, e qualquer um com um pouco de sensibilidade pode calcular que não é fácil chegar nela. ou melhor, que não é fácil ESTAR nela. e um dos motivos da famigerada crise há de ser o fantasma dos 30 anos – um abismo que parece sempre começar no seu próximo passo.
claro, tem o terror natural da dúvida. eu tenho um emprego, mas será que estou na carreira certa? eu ganho dinheiro, mas será que é o bastante? eu tô ficando com uma pessoa legal, mas será que eu devia tá namorando? e se tô namorando, será que não devia tá noivo a essa altura? e se tô noivo, será que já não devia casar? se casado, e os filhos? se com filhos, e os amantes?
mas a verdade é essa: aos 25, o sujeito mal deixou de ser o presto da caverna do dragão - o mago desastrado que queria fazer aparecer um bolo de aniversário mas tirava do chapéu um enxame de abelhas assassinas – e já se vê na cilada de ter que ser o hank – o líder sensato, honrado, responsável, gato e bom de mira da série. e alguém disse a esse sujeito que, a partir dos 25, ser o hank é algo de vida ou morte.
e aí ele começa a se perguntar o que fez até agora, que nessa idade o pai já tinha família, já tinha um patrimônio, 25 é um quarto de século, kurt cobain já tava quase se matando depois de mudar o mundo aos 25, e daqui a cinco ele vai ter TRINTA ANOS, e ter trinta anos é uma desonra se você é o mesmo de há cinco anos atrás, como ter 25 é uma desonra se você é o mesmo de há cinco anos atrás, e o que são cinco anos?, um trecho de rua até a esquina onde jesus lhe espera pro seu ultimate julgamento moral, porque de 25 pra 30 não é como de 15 pra 20, porra, e aaaaah.
mas aí o sujeito (que os leitores já devem ter percebido que sou eu) se acalma e pensa que os 30 anos são mesmo uma fantasia. como aquela de quando a gente tinha 10 anos e achava que aos 25 já seríamos avós e donos de indústrias. e que, pô, não são as férias entre os 15 e os 20, mas são cinco anos. se o sujeito não vê outra saída a não ser construir um império no máximo até os 30, ainda tem cinco anos pela frente. que não hão de ser pouco. o yes acabou em 81 mas voltou em 83. pra melhor ou pra pior, as coisas acontecem. e mudam. ou passam.
e o tempo, graças a deus, não corre como sua mãe diz: o relógio ali ainda marcando 5h40 e ela atacada porque ”já são 6h!”. quando, na verdade, vinte minutos é muita coisa. vinte minutos é o que separa a gente do fim do mundo. o que durmo às vezes de um dia pro outro, dammit. duvido que ela e meu pai tenham gasto mais de 20 minutos pra me conceber. e, tiop, eu me chamo márcio thiago, duvido que tenham gasto mais de 5 pra escolher meu nome.
hm. taí. daqui a cinco minutos, podem me chamar de hank.