Posts de Setembro, 2006

No fundo do peito esse fruto apodrecendo a cada dentada

Setembro 22, 2006

A noite em que eu cheguei em casa você deitada no sofá, às 3h da manhã. Chiado de tv fora do ar. Parecia que você tinha crescido de repente…você virou uma mulher enorme, cresceu feito um anúncio , ficou do tamanho da casa e eu fiquei pequeno. Um menino. Eu fui diminuindo e você crescendo…

Lembro exatamente o dia tal daquele mês de Fevereiro de dois mil e tantos, em que seu cabelo cheirava a condicionador de baunilha e seus elogios eram os mais tortos que eu já ouvira. Você me mordia as bochechas e aquilo só podia ser sinônimo de um gostar grande.

Ela parou ontem…ou foi anteontem, ou transanteontem? Quando ela parou de me amar? Igual a um relógio que pára…ela parou de me amar!
As mulheres…as mulheres são umas putas escrotas mais malvadas que os homens porque elas param de amar e o homem não pára nunca de amar! O homem não pára…a mulher pára!
A que horas minha senhora, você parou de me amar e começou a amar fulano de tal?

- Bem, eu estava ouvindo Jobim ou seria Dylan o da ocasião…e eu parei de te amar! Assim, de repente. E passei a amar fulano de tal.

 E eu? Eu? Et moi?

 - De noite todos iam dormir e eu ficava na cama: quem sou eu? Sou um ventinho? Sou um boneco? Sou um pudim que você comia de noite? E eu comecei a enlouquecer…a gostar mais e mais de ser nada…de ser ´talvez´. E a sua crueldade, a crueldade da sua desatenção…e eu esperava você de noite. As chaves, tuas chaves…e o ferrolho de porta rangendo a tua chegada…

…daqui a pouco o sol vai nascer…
“nessa janela sozinha olhar a cidade me acalma…
mas tem os olhos tranquilos, de quem sabe seu preço”
  

…C’mere…

Setembro 21, 2006

Eu sei que tô em falta aqui no Terapia, e, quando sobrar um tempinho nessa zona baixa-renda que minha vida virou, explico tudo direitinho que é pros leitores que não me conhecem não acharem que sumi, nem p’raqueles que já me conhecem – e tão por dentro do que tá acontecendo - não me acharem mais safada e enrolona do que já devem estar achando.

O caso é que eu agora estou com um projetinho – que me veio na veneta hoje – de juntar duas coisas que não vivo sem, em uma só. Tipo aquela maravilhosa idéia de colocar um sachê de ketchup junto da Ruffles. Enfim, são elas: música e arte. Se bem que “arte” soa meio pretencioso… Música e desenhinhos, pronto, melhorou? Então, em dias de tédio eu pego a canetinha mágica e dou umas pinceladas meio que ilustrando partes de algumas canções que curto. Vou ver se faço um Fotolog pra pôr as coisas, já que esse WordPress não facilita minha vida e o Flickr é muito chatinho de usar.

Quando eu tiver alguma paciência, dou um jeito de organizar o tal Flog e, com sorte, postar com alguma frequência. Divulgo direitinho depois. Até lá, vou deixar aqui a letra do provável primeiro Post… Mesmo sem o desenho do lado, vale à pena ler, pra quem ainda não escutou ou escutou e não deu muita importância… Interpol é do caralho!

It’s way too late to be this locked inside ourselves
The trouble is that you’re in love with someone else
It should be me, It should be me

Your sacred parts, your get aways
You come along on summer days
Tenderly, tastefully

And so may we make time
To Try find somebody else
This place is mine

You said today, You know exactly how I feel
I have my doubts, little girl, I’m in love with something real
It should be me that’s changing

And so may we make time
To try and find somebody else who has a line

Now seasoned with health
Two lovers walk on lakeside mile
Try pleasing with stealth, rodeo
See what stands long ending fast

Oh, how I love you In the evenings when we are sleeping
We are sleeping. Oh, we are sleeping

And so may we make time
We try and find somebody else who has a line

reach for the bright side…

Setembro 20, 2006

 

and you, you turn yr eyes away

Setembro 12, 2006

 

i guess it’s true it’s never too late

still i don’t know what to do today

que importa o sentido se tudo vibra?

Setembro 5, 2006

púrpura 

-Vem cá, a gente precisa conversar sobre essas coisas

-Eu quero um café

-Você voltou diferente

17h e alguns minutos, eles estavam lá naquele café, observando o pôr-do-sol. O céu estava cor de rosa e enquanto ele passava a mão nos cabelos, tentando esquecer aquele silêncio desconfortável, ela chamou o garçom que usava verde escuro.

-Eu quero uma água, com gelo

-Você não ia pedir um café?

-Mudei de idéia

-Sabe, é engraçado. Olha como o céu está cor de rosa, parecido com o dia que nos encontramos pela primeira vez. Você estava usando aquela saia azul e eu só reparei que estava rosa porque é raro estar nesse tom. Às vezes fica amarelo, nesse horário. Mas nunca cor de rosa

-Púrpura. Púr-pu-ra. Eu gosto dessa palavra. Soa bonito, olha: Púrpura!

-Você já percebeu que nós nunca estivemos? Que nós usamos a palavra Encontro para definir nossas coisas? O que é isso? É medo? Você tem medo?

-Não sei. Mas sabe, eu tenho medo de morrer enterrada viva durante um terremoto

-Por aqui não existem terremotos

-Mesmo assim, eu tenho medo disso

-Eu queria saber da sua dificuldade de falar as coisas quando é solicitada. Uma vez, aquela vez na praia, você falou tanto e eu nem precisei te chamar pra isso. Não é mais dessa forma, é como se você tivesse mudado tanto e eu não consigo acompanhar

-Eu deveria ter pedido mesmo o café

-Você voltou diferente, ontem. Foi como se eu nem existisse

E ela, naquele momento, estava distante. Ouvia as buzinas e as pessoas e as coisas que ele tinha a dizer, tudo assim, misturado. Observava as janelas do prédio em frente ao café e não esboçava qualquer reação. Fixou seu olhar no grupo de adolescentes que atravessavam a rua com seus cabelos coloridos, sorvetes e mochilas.

-Sabe, eu queria saber o que se passa na sua mente

-O sorvete é da mesma cor dos cabelos

-Lembra aquele dia em que você bateu na porta da minha casa, chorando e querendo apenas deitar e dormir? Naquele momento eu me senti unido a você, até mesmo unido a sua carência. Você sente o que eu sinto?

-Eu sinto o que você sente

-É tão estranho. É surreal. Eu achava essa união inalcançável

-Meu coração bate demais

-Como é isso de bater demais? O que significa bater demais?

-Quero ir embora desse lugar

-Estamos aqui há 10 minutos, o sol nem se pôs ainda. Tenha um pouco de calma, as coisas não precisam ser tão urgentes, hoje. Me deixa terminar? É que eu queria saber o que nós somos. Pessoas que se encontraram através de pequenas coincidências? Eu queria tanto saber definir melhor as coisas. Pensamos da mesma forma, sempre?

-Nossos corações batem demais. É mais ou menos como um torpor. Gosto de pensar que somos duas pessoas que se encontraram, apenas. Você sabe

-Eu sei. Somos como um torpor, então. Mas e agora, o que você está pensando?

-Púr-pu-ra.