Posts de Agosto, 2006

oi…oi?

Agosto 31, 2006

Existem teorias que conspiram na minha cuca, e eu nunca tentaria transcreve-las se não fosse a pressão de Dona Marcela por conta de meu comportamento relapso mediante o consultório.

Pois bem, vamos lá…

Tenho o hábito estranho de classificar as coisas/situações/pessoas/fatos/oportunidades e desventuras por tamanho. Sim… ta-ma-nho.

Por exemplo…

Se amanhã de manhã Bill(o Gates) me lhiga oferecendo a administração das empresas pra senhorita aqui, após uns 45minutos de euforia eu provavelmente entraria num  lapso de “ isto é muito maior que eu” . Logo , tenhomedo aicaralho!

Mas claro que não é só de ligações do Bill que se refere a teoria…

Resumindo, tem as coisas que são muito maiores que você… que te fazem tremer na base por te fazer sentir menor que a tal coisa/situação/pessoa.

Tem as coisas que são menores que você, por conseguinte não há motivação. Pois são menores, ínfimas, insignificantes….pfff

E por fim, temos as coisas do seu tamanho, teu número, feitas pra ti, one-of-a-kind!

Na verdade isso tudo é pra divulgar que: meu tamanho é 36 ,caso alguém veja por aí um padrão de vida (que já venha com acompanhante ,que de preferência não pise na bola) que caiba nesse tamanho, me informa! Ok?

( Tia Marcela se eu te trouxer uma maçã todas as manhãs, você tira minhas faltas da caderneta?)

Nothing so ridiculously teenage and desperate… Nothing so childish.

Agosto 25, 2006

Carol diz:

essas conclusões são desesperadoras, quando finalmente chegamos nelas

Mônquina diz:

oh yeah

Mônquina diz:

por isso que eu tô away

Mônquina diz:

anestesiada

Mônquina diz:

e escutando mto radiohead

Carol diz:

mulher, posso dizer nada do seu thom yorke mode. pq eu tô eterna nessa nina simone. quer dor de cotovelo mais dor de cotovelo que nina simone? 

Carol diz:

é quase ouvir alcione, cara. ângela rô rô, sei lá.

Mônquina diz:

nina simone e billie holliday

Mônquina diz:

nina simone e billie holliday são as marrons dos EUA

Carol diz:

sem dúvidas

_______

em breve estaremos fitter, happier, more productive, not drinking too much… aguarde a próxima temporada.

Lucas

Agosto 23, 2006

Eu tinha cinco anos quando chegou. Chegou fazendo barulho e quebrando as coisas. Chegou se apossando do quarto e dos objetos. Não foi muito agradável  comigo, eu que sempre quis mais amiguinhos em casa e me alegrava tanto com a companhia de primos e mais primos. Mas ele era pequeno e não entendia como os jogos funcionavam.

Tinha dois anos quando tomei sua guarda. A guarda de seus deveres escolares, da atenção antes de atravessar a rua, das ligações pedindo remédio ou lancheira nova. Ele era minha grande responsabilidade, assim como era minha, a função de saber em que apartamento estaria, vistoriando interfones e campainhas, um por um. Mas ele era pequeno e mesmo contra minha vontade, eu deveria levá-lo a tiracolo.

Como todo vitorioso, passava por mim ostentando suas conquistas. Teve tudo: beijos, chocolates, videogame, carisma. Por muito tempo o odiei. Mas ele era pequeno e eu tinha que entender.
Um dia, saiu sem avisar. Anoiteceu e nenhuma ligação. Quase dez horas e  não vem. A barriga foi ficando fria, as pernas inquietas. Os pensamentos vomitavam as piores situações. Tomei um táxi até o shopping e anunciei seu nome no auto-falante. Lá estava, envergonhado, reclamando do exagero. Mas ele era pequeno e eu não pude evitar me preocupar.

E continuou pequeno, enquanto eu, caía no mundo, grande, cheio de avenidas, gente e decepção. E se não tiver ninguém pra segurar sua mão? E se um dia você chorar assim, a toa, sem ter nem ralado o joelho? Se chorar de amor ou de dúvida? Se ninguém souber te mostrar onde ir?
A verdade é que, mais que objeto de vigília, você é meu passado. Você é a estrada que eu não pecorri, as coisas que eu deveria ter feito, as lágrimas que eu não queria ter chorado, a dor que eu podia passar sem… Ainda que eu nunca fale, ainda que eu grite sempre mais alto, ainda que eu seja tão dura e, por vezes parecer cruel. É que eu prefiro que você apanhe de mim – que sou tão mais frágil do que se pensa – do que, daqueles que não medem a intensidade do golpe.
Você cria barba, engrossa a voz e volta de madrugada. Você tem idéias, brigas e uma personalidade. Você usa camisinha, tem amigos e uma namorada. Você tem uma vida.
Mas é pequeno e eu sempre vou te proteger. 

Feliz Aniversário, baby =)

Big Me…

Agosto 21, 2006

Eu queria, pelo menos por uma vez, ser aquilo que as pessoas sonham pra si.

demonte…demontanha

Agosto 16, 2006

[IMG]http://i71.photobucket.com/albums/i149/anatangerina/montanha.jpg[/IMG]

suave coisa nenhuma

Agosto 16, 2006

beatriz

me ensina a não andar com os pés no chão… 

para sempre é sempre por um triz,

ai, diz quantos desastres tem na minha mão,

diz se é perigoso a gente ser feliz.

quem precisa de cúmplices?

Agosto 16, 2006

o/

quote

Agosto 15, 2006

- Como é esse negócio de dar cócegas na estômago?
- Ah… difícil de explicar…mas é tipo, quando alguém te faz rir com todos os dentes. Riso honesto…
- hum…você me dá cócegas no estômago então.

(há quem não se banalize)

Momento Jukebox

Agosto 15, 2006

Me ligou pra dizer que iria se mudar
Se eu quiser tanto assim, posso telefonar
E eu no meu quarto assistindo a TV sem som
Ouvindo os discos do Ziggy Stardust

E o que queria, era ficar com você
Tudo que eu queria era ficar com você

Mas tudo bem, tudo bom
Uns têm, outros não
Uns vêm, outros vão

Sei que é chato dizer, mas me sinto velho menina
Ninguém mais se lembra do Balão Mágico
E eu coleciono palavras no papel
Pra tentar construir versos dodecassílabos

E o que eu queria, era ficar com você
Tudo que eu mais queria era ficar com você

Mas tudo bem, tudo bom
Uns têm, outros não
Uns vêm, outros vão

Ah, eu acho Ludov bonitinho, vai….

ch-ch-ch-ch-changes

Agosto 14, 2006

acontece assim: às vezes eu ponho um disco dos smashing pumpkins pra tocar e me transformo naquele marido romântico vendo o vídeo do seu casamento. coisa de fã. nessas audições inspiradas, o tempo volta como um cenário instantâneo armado ao redor de mim e eu acabo resgatando as razões pelas quais fui me apaixonar por eles em primeiro lugar. mas o engraçado a respeito dos smashing pumpkins é que cada disco é como um novo vídeo de casamento. porque eu me lembro perfeitamente que eu pensava, ouvindo cada um deles pela primeira vez: esses definitivamente não são os smashing pumpkins que eu conheço. era, sei lá, como dormir com uma roupa e acordar com outra. ou tipo - dormir com um indie e acordar com um gótico. e acho que esse, ao longo do tempo, foi se tornando um dos motivos de angústia entre os críticos e de paixão entre fãs da banda: sua imprevisibilidade.

a maioria dos entusiastas de música que eu conheço, na realidade, não têm muita paciência pra bandas que se repetem a cada disco. por outro lado, tem a coisa de não mexer no time que tá ganhando, que emergiu brilhando lá da segundona, oferecendo craques no espetinho para as massas. muitas bandas conseguiram construir uma grande carreira, prolífica e inventiva, sem mudar de cara. tipo os ramones, que inventaram a roda e não precisaram reinventá-la. e tem bandas que, bem, são o david bowie. e daí tem aquela gente nostálgica que fica perdida no meio das metamorfoses e acha que esse negócio de mudar de estilo é sempre mera putaria do artista. porque, por deus, será que eles não poderiam manter aquela pegada rock infestada de riffzinhos batutas do primeiro disco em todos os outros? ia doer?

e aí eu lembro do radiohead, um exemplo de jesus pregado na cruz dos anos 90-00 em função desse capcioso fator-mudança. saindo do auge dourado de seu pop perfeito pra se arriscar no campo da desconstrução com o “kid a”, o radiohead pagou de temperamental pra meio mundo da música – porque queria aparecer com uma quebra tão brusca, porque queria forçar uma transformação, porque não é certo fugir dos fãs dessa maneira e coisital. por deus, ia doer se eles tivessem feito todas as músicas na guitarra, com refrões pra cantar junto, e continuassem sob a glória de sempre? bom, a julgar pela volta que eles ainda não fizeram ao estilo que os consagrou, parece que, é, ia doer. porque, depois de vivenciarem a glória, talvez ela não estivesse mais sendo tão recompensadora assim pro grupo na forma como apareceu (e tem aquele documentário, o “meeting people is easy”, que atesta mais ou menos isso). então o “kid a”, tortuoso e anti-pop como foi taxado, pareceu respeitar essa continuidade lógica nos sentimentos dos homens por trás da até então infalível marca radiohead.

e acontece assim: às vezes as pessoas esquecem que as transformações podem ser naturais. provavelmente billy corgan, o chefe dos smashing pumpkins, se divertia com a repercussão confusa dos seus discos. mas devia ficar tão puto quanto, quando era cobrado a continuar se remetendo a seus trabalhos anteriores toda vez. em outras palavras, quando era cobrado a continuar sendo o mesmo cara. tipo o los hermanos com o disco novo e por aí vai. claro que o problema de parecer diferente, de estar entrando na menopausa e essas coisas, É dos los hermanos, eu gosto do que eles me oferecem SE EU QUISER, NÃO PRECISO lidar com isso e posso continuar procurando prazer EM OUTRO CABARÉ. mas tem gente que quer a banda porque quer e torce o nariz pro simples fato de eles estarem mudando. aquelas mesmas pessoas que têm vontade de trancar seus filhinhos em jaulas para sempre quando seus hormônios começam a bater.

e, como sempre, eu falo um monte de coisa pra chegar num fim de post cheio de putaria reflexiva trivial sobre a vida das pessoas. mas é isso. mudar é um negocinho de mierda. principalmente por causa daquele outro negocinho de mierda chamado rejeição alheia implacável. porque você tá ali na mesa com seus amigos, supostamente se divertindo, mas paranóico, apitando que nem uma chaleira, com aquele pensamento eterno: caralho, cadê aquele eu que ia arrasar com essa deixa agora? tem vezes que a gente não se conforma em não ser mais o piadeiro e não percebe que um novo talento como a sinceridade, por exemplo, brotou desse chão árido. a gente não se perdoa por estar mudando. se apega ao período áureo de nossas carreiras de seres humanos e tenta reproduzir esse safadinho eternamente. aqueles gestos, aquele jeito de falar, aquelas piadas, aquele look, aquelas crenças inabaláveis, aqueles sonhos, todas aquelas coisas que os nossos fãs adoram e pelas quais nos acolhem. e a gente se frustra porque não respeita o novo momento, não respeita o potencial das nossas fases, a seqüência lógica dos nossos sentimentos. sofre mais por negar a mudança do que por mudar. sofre por não aceitar que pode ser impossível repetir naturalmente uma fórmula de sucesso – e tem vontade de se matar quando tenta em vão repeti-la caprichosamente.